Teoria

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Conceito de ortografia

Ortografia: regras que determinam a escrita correta das palavras. A ortoépia e a prosódia definem a correta pronúncia dessas palavras, o que se reflete na ortografia. A escrita, pelo menos em teoria, visa registrar graficamente a fala.

Ex.: a pronúncia correta é “ruBRIca” (não “RÚbrica”), por isso essa palavra não é acentuada.

A ortografia abrange tópicos como acentuação, uso de letras, hífen e uso de maiúsculas.

A grafia correta das palavras está prevista no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), mantido pela Academia Brasileira de Letras, e no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (DECRETO 6.583/90).

Vocabulário básico: palavra, sílaba e número de sílabas
  • Palavra: conjunto de sons ou letras que formam uma unidade de sentido. Pode designar objetos, ações, qualidades, entre outros. Ex.: casa, amor, escola.
  • Sílaba: unidade fonológica mínima que forma palavras, constituída por um ou mais sons emitidos em uma só emissão de voz.
  • Sílaba tônica: a sílaba pronunciada com maior intensidade ou força. Pode ser a última, a penúltima ou a antepenúltima. As sílabas se classificam em tônicas (fortes) e átonas (fracas).
Ex.: CA-sa (a tônica é “CA”); ca-FÉ (a tônica é “fé”); ME-sa (a tônica é “me”).
  • Monossílaba: uma sílaba. Ex.: é, ser, pôr, dê, me, se, pau, mal.
  • Dissílaba: duas sílabas. Ex.: fazer, amor, saiu, então, café, anzol.
  • Trissílaba: três sílabas. Ex.: lâmpada, código, mágico, mausoléu, interpor.
Encontro vocálico: vogal, semivogal, vogal oral e nasal

Encontro vocálico: ocorrência de sons vocálicos seguidos em uma palavra. Tecnicamente, o som vocálico pode ser dividido em vogal e semivogal. O encontro vocálico pode ser classificado como ditongo, tritongo ou hiato.

  • Vogal: som vocálico central da sílaba, pronunciado com mais intensidade.
  • Semivogal: som vocálico mais fraco da sílaba, pronunciado com menos intensidade.
  • Vogal nasal: o som passa pelo nariz; é marcada na língua por til (~), “m” ou “n”. Ex.: pão, fã, cantam, correm.
  • Vogal oral: o som não passa pelo nariz, passa só pela boca.
Ditongo

Ditongo: encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) na mesma sílaba. Pode ser crescente (semivogal + vogal) ou decrescente (vogal + semivogal).

  • Ditongo crescente: semivogal (fraca) seguida de vogal (forte). A “força” na pronúncia cresce: o ditongo começa no som vocálico fraco, a semivogal, e “cresce” para o som forte, a vogal. “A” é sempre vogal. Ex.: se.cre.tá.riA (semivogal “i” + vogal “A”).
  • Ditongo decrescente: vogal (forte) seguida de semivogal (fraca). A “força” decresce: o ditongo começa no som vocálico forte e “decresce” para o som fraco, a semivogal. Ex.: PAi (vogal “A” + semivogal “i”).
Se a vogal for oral, o ditongo é oral. Se a vogal for nasal, o ditongo é nasal.
Hiato e tritongo
  • Hiato: encontro de duas vogais, mas em sílabas diferentes.
  • Tritongo: encontro de três sons vocálicos (semivogal + vogal + semivogal) na mesma sílaba.
Na palavra “cAi”, o ditongo é “ai” (decrescente). Na palavra “cA-í” (verbo cair no passado), temos hiato, pois A e I estão em sílabas diferentes, claramente separadas na pronúncia.
Na palavra “saúde”, o hiato ocorre entre “a” e “u”, formando duas sílabas: sa-ú-de.
Na palavra “Uruguai”, o tritongo está na última sílaba: “uai”.
Classificação pela sílaba tônica

Dependendo da posição da sílaba tônica, as palavras podem ser agrupadas em:

  • Oxítona: a sílaba tônica é a última. Ex.: “Ca-FÉ”, “ja-ca-RÉ”, “tam-BOR”.
  • Paroxítona: a sílaba tônica é a penúltima. Ex.: “ME-sa”, “TÊ-nis”, “FÁ-cil”.
  • Proparoxítona: a sílaba tônica é a antepenúltima. Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas. Ex.: “MÉ-di-co”, “PRÓ-xi-mo”, “ÁR-vo-re”.
Acento diferencial

Acento diferencial: acento que distingue palavras que teriam a mesma grafia, mas significados diferentes. Após a reforma ortográfica, restaram os seguintes acentos diferenciais:

Com acentoSem acento
têm / vêm (verbos “ter/vir” no plural)tem / vem (verbos “ter/vir” no singular)
pôde (verbo “poder” no passado)pode (verbo “poder” no presente)
pôr (verbo)por (preposição)
Acentuação: proparoxítonas e monossílabos tônicos

As regras de acentuação combinam a classificação tônica (oxítona, paroxítona, proparoxítona) com a terminação da palavra (a, e, o, em, ens, ditongo...). É o assunto mais cobrado dentro de ortografia.

Todas as proparoxítonas são acentuadas. Essa regra prevalece sobre qualquer outra, pois não leva em conta a terminação da palavra ou a separação silábica.
Ex.: Pe-núl-ti-mo, pá-gi-na, an-tô-ni-mo, á-to-mo, re-lâm-pa-go, ca-ó-ti-co

São acentuados os monossílabos tônicos terminados em A, E, O (primeira regra) e também em ditongos abertos éu, éi, ói (segunda regra), seguidos ou não de S, pois o plural não afeta a regra.

  • Ex. (primeira regra): há, pá, pás, má, más, pé, pés, dê, dês, mês, nó, nós, pôs
  • Ex. (segunda regra): véu, véus, réis, dói, sóis
Acentuação: oxítonas e paroxítonas

Acentuam-se as oxítonas terminadas em A, E, O, em, ens (primeira regra) e também em ditongos abertos éu, éi, ói (segunda regra).

  • Ex. (primeira regra): sofá, xarás, gambá, será, serás, pajé, pajés, Tietê, você, freguês, vovô, avós, vovó, ninguém, armazém, armazéns
  • Ex. (segunda regra): fiéis, papéis, chapéu, herói, Niterói, anzóis, destrói
Todas as paroxítonas são acentuadas, exceto aquelas terminadas em A, E, O, EM, ENS.
Por essa razão, não levam acento: MatA, AbadE, CopO, HomEM, HomENS...

E, portanto, levam acento: fácil, hífen, álbum, cadáver, álbuns, tórax, júri, lápis, vírus, bíceps, órfão.

Hífen

A regra básica do hífen é separar letras iguais na união de prefixos. Se a letra que termina o prefixo for igual à que começa a palavra prefixada, usamos hífen:

Micro-ondas; contra-ataque; anti-inflamatório; auto-observação
Super-romântico; hiper-resistente; sub-bibliotecário

Se as letras forem diferentes, não usamos hífen:

autoestrada, agroindustrial, anteontem, extraoficial, videoaulas, autoaprendizagem, coautor, infraestrutura, semianalfabeto
Expressões problemáticas: os porquês

Uso dos “porquês”: porque x por que x por quê x porquê.

  • Porque: conjunção explicativa ou causal; introduz uma explicação ou causa da oração anterior.
    Ex.: Estudo porque sei que minha hora vai chegar.
  • Por que: usado em frases interrogativas, diretas ou indiretas (com ou sem ponto de interrogação), ou pode ser Por (preposição) + Que (pronome relativo), equivalente a “pelo qual”, “pela qual”.
    Ex.: Por que você é grosseiro? (por que motivo) – interrogativa direta, com ponto de interrogação.
    Ex.: Não sei por que você se foi... (por que motivo) – interrogativa indireta, sem ponto de interrogação.
    Ex.: Só eu sei as esquinas por que passei. (pelas quais passei)
  • Por quê: basicamente o mesmo caso acima, quando ocorre em final de período ou antes de pausa. O macete é pensar que a pausa e a pontuação final “atraem” o circunflexo.
    Ex.: Nunca fumou e morreu de câncer. Por quê?
  • Porquê: substantivo, equivale a “motivo”, “razão”; é usado normalmente com artigo ou outro determinante.
    Ex.: Não foi aprovado e ninguém sabe o porquê. (ninguém sabe o motivo)
    Ex.: Deve haver algum porquê. (alguma razão)
Expressões problemáticas: há x a, a fim x afim, onde x aonde

Há x a

  • Há: verbo impessoal haver, sentido de existir, ocorrer; tempo decorrido.
    Ex.: Há dias em que sinto falta de fumar. Há dez anos não fumo.
  • A: preposição, sentido de limite, distância ou futuro. Se o tempo ou a distância está ainda “a transcorrer”, usamos só “a”. Se o tempo ou a distância são já passados, decorridos, usamos “há”.
    Ex.: O cinema fica a 2km daqui (distância a transcorrer). Chegaremos daqui a 15 minutos (tempo a transcorrer).

A fim x afim

  • A fim de: equivale a “para”; expressão com sentido de “propósito”.
    Ex.: Estou aqui a fim de te orientar sobre teu estudo.
  • Afim: adjetivo que significa “afinidade”; equivale a “semelhante, correlato”.
    Ex.: Matemática e estatística são matérias afins.

Onde x aonde

  • Onde: usado para verbos que pedem a preposição “em”. Indica localização mais estática.
    Ex.: Onde você mora? Moro em Caxias.
  • Aonde: usado para termos que pedem a preposição “a”. Aparece com os verbos “ir, voltar, chegar, comparecer, dirigir-se”, que expressam movimento/lugar/destino e exigem a preposição “a”.
    Ex.: Aonde quer que eu vá, eu levo você no olhar.

Mapa-Resumo Conceitual

Mapas mentais de ortografia: acentuação gráfica, acentos diferenciais, trema e hífen. Marque trechos e crie flashcards diretamente neste resumo.

1. Ortografia – Acentuação gráfica (paroxítonas, proparoxítonas, oxítonas, monossílabos tônicos e hiato)

Mapa mental de ortografia (acentuação gráfica): paroxítonas, proparoxítonas, oxítonas e monossílabos tônicos, hiato

Paroxítonas

  • Todas são acentuadas, exceto as terminadas em: A(S), E(S), O(S), EM, ENS, ditongo nasal (cantam, choram).
  • Justamente as terminações acentuadas nas oxítonas!
  • São acentuadas também as terminadas em ditongo, salvo em ditongo aberto. Ex.: indivíduos, médio (ditongo); heroico, ideia (ditongo aberto).
  • Não são acentuados os prefixos paroxítonos terminados em -R ou -I. (hiper, super...)

Proparoxítonas

  • Todas são acentuadas, sem exceção!! (Essa regra prevalece sobre todas!)
  • CUIDADO! Proparoxítonas aparentes: = paroxítonas terminadas em ditongo crescente (Ex.: história). As bancas as consideram como paroxítonas mesmo!

Oxítonas e monossílabos tônicos

  • São acentuadas as terminadas em:
  • 1ª regra: A(S), E(S), O(S), EM, ENS (EM, ENS: apenas p/ as oxítonas).
  • 2ª regra: ditongo aberto (éu(s), éi(s), ói(s)).
  • CUIDADO! São regras diferentes! Dói: monossílabo tônico. Herói: oxítona terminada em ditongo aberto.
  • P/ que duas palavras sejam acentuadas pela mesma regra, devem ter a mesma classificação quanto à tonicidade. Ex.: ambas oxítonas; ambos monossílabos tônicos.
  • Salvo a regra do hiato (independe da posição da sílaba tônica).

Hiato

  • Encontro de duas vogais em sílabas diferentes (pronunciadas com tonicidade).
  • Regra: acentuar I ou U tônicos em hiato com vogal ou ditongo anterior em sílaba sozinho ou seguidos de S. (c/ outra letra, não!)
  • A regra do hiato se sobrepõe à da oxítona. Ex.: Piauí, teiú, tuiuiú.
  • Exceções: 1. Hiato + NH (rainha). 2. Hiato com letra repetida (saara). 3. “U” tônico após ditongo decrescente em paroxítona (feiura, bocaiuva).

2. Ortografia – Acentos diferenciais, trema e outras regras relevantes

Mapa mental de ortografia (acentuação gráfica): acentos diferenciais, trema e outras regras relevantes

Acentos diferenciais

  • A maioria foi abolida com o novo acordo.
  • Restaram:
Com acentoSem acento
Pôde (pretérito)Pode (presente)
Pôr (verbo)Por (preposição)
Vêm/têm (plural)Vem/tem (singular)
Fôrma (objeto) (facultativo)Forma (verbo)

Trema

  • Foi abolido com a reforma.
  • Acostume-se: cinquenta, arguir...

Outras regras relevantes

  • Verbos terminados em -guar, -quar, -quir: têm >1 pronúncia possível.
  • Ex.: exáguo ou enxaguo; delínquo ou delinquo

3. Ortografia – Hífen

Mapa mental de ortografia (hífen): quando não se usa, quando se usa, aspectos gerais, hífen com prefixos e observações

Não se usa o hífen

  • Após não e quase. Ex.: “não fumante”
  • Entre palavras compostas por elementos de ligação. Ex.: “mão de obra”, “cão de guarda”. (Se não houver, tem hífen! Ex.: guarda-chuva)
  • Em palavras que perderam a noção de composição. Ex.: “girassol”

Usa-se o hífen

  • Antes de palavra com H. Ex.: “anti-higiênico”.
  • Com sentido de “encadeamento”. Ex.: “ponte Rio-Niterói”.
  • Com prefixo BEM, salvo palavras derivadas de querer ou fazer. Ex.: “bem-estar”, “benfeitor”
  • Com prefixo MAL + vogal ou H. Ex.: “mal-educado”. (Se mal + consoante aglutina! “malnascido”)
  • Com os prefixos: recém, além, aquém, sem, ex, vice.
  • Com os prefixos: pré, pró, pós.
  • Com os prefixos: sub, sob + R/B (“sub-reitor”).
  • Com os prefixos: circum, pan + vogal/M/N (“pan-americano”).

Aspectos gerais

  • Usado para: formar palavras compostas; separar sílabas; separar pronomes oblíquos átonos.

Uso do hífen com prefixos

  • Regra geral. Ex.: pseudo, intra, semi, contra, auto, neo, ultra...
  • “Os diferentes se atraem”: vogais e consoantes diferentes se unem (sem hífen). Ex.: autoescola, coautor, anteontem, hipermercado, hiperativo...
  • Logo, “os iguais se repelem”. Ex.: micro-organismo, super-resistentes...
Observações
  • O prefixo CO nunca tem hífen. Ex.: coobrigado, coautor (ainda que com letra igual!)
  • Se a consoante após vogal for R ou S, esta deve ser duplicada. Ex.: minissaia, contrarregra

Resumo – Ortografia

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Questões

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Anotações gerais
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